Na dependência química os mecanismos de defesa passam a fazer parte da própria sintomatologia
da doença. Não só os dependentes químicos, mas todo o ser humano tende a utilizar-se de mecanismos de defesa quando estão sob pressão ou quando são confrontados consigo mesmos. Mas o objeto de interesse e de análise da nossa recuperação e da vida em sobriedade consiste no comportamento do dependente químico durante a adicção e para aqueles que vivem em sobriedade, os sintomas que contribuem para o processo de recaída.
O dependente químico utiliza-se das mais variadas estratégias para defender a continuidade da sua dependência e, embora vivendo em sobriedade, ele pode voltar a usar os mecanismos de defesa como fuga ou negação da realidade. Admitir a realidade significaria uma agressão à sua auto-estima, e a aceitação dessa realidade significaria fraqueza e inferioridade.
No processo de recaída o dependente químico pode ter estes sintomas defensivos quando abordado sobre os seus problemas pessoais, principalmente os relacionados ao programa de recuperação, mesmo quando nenhuma defesa é necessária.
Existem muitos mecanismos de defesa, mas apresentaremos aqui os mais utilizados:
Negação: O próprio nome diz, é a negação do fato.
           
Ex.: “Eu não estou tendo nenhum contato com companheiros de ativa.”
Racionalização: Tendência a justificar os comportamentos inadequados através de argumentações.
Ex.: “Só fui ao bar porque precisava comprar cigarros, só isso!”
Projeção: Tendência a transferir a culpa ou a responsabilidade dos erros para outras pessoas.
Ex.: Só entrei no bar porque fulano me chamou.”
       Eu não tenho culpa se me ofereceram bebida.”
Hostilidade: O dependente torna-se agressivo ou hostil quando abordado ou questionado.
Ex.: “Você não tem nada a ver com a minha recuperação, vai cuidar da sua vida!”
Minimização: Tendência a diminuir a importância do fato.
Ex.: “Que nada! Só entrei um pouquinho no bar e logo saí.”
Generalização: Justificamos o nosso comportamento através do comportamento de outros.
Ex.: “Não tem problema ir jogar baralho no bar, todo mundo faz isso.”
Desfocalização: Mudamos o foco da conversa apontando para outra pessoa.
Ex.: “Você não sabe o que me comentaram lá no bar…”
Intelectualização: Usar termos difíceis e teorias complexas para justificar o comportamento errado.
Ex.: “É uma questão de preconceito inerente à sociedade.
Repressão: Bloqueio inconsciente de situações ou momentos que são dolorosos demais para serem lembrados.
Ex.: “eu não me lembro de ter agredido assim a minha filha!”
            Os mecanismos de defesa são processos psicológicos utilizados involuntariamente por todos os seres humanos e têm como principal característica negar, falsificar ou distorcer uma realidade com a qual temos dificuldade de conviver.
            No caso de nós, dependentes químicos, negar ou fugir da realidade é uma característica que deve ser trabalhada e um hábito inconsciente que deve ser eliminado gradativamente na medida em que vamos nos conhecendo melhor. O feedback dos amigos de recuperação é fundamental neste processo de remoção dos mecanismos de defesa e precisamos estar atentos à nossas reações e comportamentos, como manipulações, mentiras, medos, culpa, raiva, etc.
           
Autor: Rodrigo Longo
UM GRANDE ABRAÇO A TODOS!
Referência Bibliográfica:
  • Programa de Prevenção à Recaída
    Autor: Pablo Kurlander
    Comunidade Terapêutica Nova Jornada
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