1º PASSO
“Admitimos que somos impotentes perante o álcool e as drogas, e que perdemos o domínio sobre as nossas vidas”
Este passo aponta duas situações básicas, na qual coloca o dependente químico frente a uma realidade difícil de admitir, a sua impotência perante o álcool e as drogas e a perda do domínio sobre a própria vida. Impotência significa fraqueza, falta de força Esta fase crítica, exige muita humildade e aceitação de que a pessoa perdeu e precisa admitir que é incapaz de conseguir parar sozinha.
A admissão implica não somente na impotência perante o álcool e as drogas, mas também a impotência perante todo um estilo de vida, ao qual o levou a falência como um todo. Seus hábitos, vícios, emoções, comportamentos, modo de pensar e a sua história de vida devem ser revistos, analisados e modificados, buscando a recuperação da pessoa e suas forças para lutar contra a doença.
Falar menos de drogas e álcool, a humildade para ouvir conselhos, a consciência da necessidade de mudança e a busca do controle das emoções, são as principais mudanças a serem trabalhadas neste passo inicial.
            AUTO-ANÁLISE PARA QUEM PRATICA ESTE PASSO.
            Falo muito sobre drogas se gabando de falsas conquistas?
         Tenho pensamentos secretos sobre uso controlados de drogas?

         Tenho humildade para pedir ajuda quando preciso e para ouvir conselhos?

         Estou buscando mudar pequenos hábitos negativos e defeitos de caráter?
         Tento controlar minhas emoções diminuindo minha agressividade?
         Tenho estado muito irritado, deprimido ou eufórico?
           
2º PASSO
“Admitimos que somente um Poder Superior a nós mesmos poderia nos devolver a sanidade”
Todo dependente químico, mais cedo ou mais tarde, perde a sua sanidade, ou seja, o discernimento das coisas, o bom senso, ele está doente. E a palavra sanidade vem propor exatamente isso, que para estar são é preciso ser capaz de usufruir plenamente de todas as faculdades, e que, se a pessoa perdeu totalmente a capacidade de pensar e de utilizar suas faculdades, certamente perdeu sua saúde física, mental, emocional e espiritual. Pode-se dizer que ele está insano e doente.
Sanidade Física (fazer) significa usufruir plenamente do nosso corpo, ou seja, o nosso bem-estar físico como, alimentação, sono, atividades do dia-a-dia,etc.
Sanidade Mental (pensar) é a capacidade de usufruir plenamente da nossa inteligência, quando planejamos a nossa vida e refletimos sobre ela. A saúde mental consiste em desenvolver a nossa inteligência com a finalidade de crescermos como seres humanos.
Sanidade Emocional (sentir) consiste em manter certo equilíbrio emocional, uma conduta aceitável dentro de um grupo social. É a capacidade de relacionarmos com outras pessoas e com nós mesmos.
Sanidade Espiritual (significar) consiste em buscar algo a mais em nossa vida, algo que dê significado a ela e em tudo o que fazemos. A fé que nos dá força e sentido para as coisas vem de um poder maior que nós mesmos, o Poder superior.
Estas estruturas são interdependentes, ou seja, estão ligadas entre si e se uma delas adoecer todas as outras adoecerão também, formando um círculo vicioso.
É por isso que somente um Poder Superior a nós mesmos poderia nos devolver a sanidade, porque desequilibrados e sozinhos não conseguiremos sair deste círculo de insanidade. Somente algo maior que nós mesmos, pode nos devolver o equilíbrio e a felicidade. Para uma melhor qualidade de vida é fundamental o desenvolvimento destas quatro estruturas com a ajuda do nosso Poder superior.
        
AUTO-ANÁLISE PARA QUEM PRATICA ESTE PASSO.
Estou buscando melhorar minha higiene pessoal, me alimentando bem, dormindo bem e cuidando do meu bem-estar físico?
Estou buscando planejar a minha vida, ter organização e disciplina nas minhas atividades do dia-a-dia?
Estou procurando meus amigos para pedir ajuda, partilhar a minha vida e expor meus sentimentos, ou guardo tudo e reprimo meus sentimentos?
Como está a minha relação com o meu Poder Superior, tenho interesse pela espiritualidade, participo ativamente das atividades da minha comunidade ou grupo ao qual pertenço?
Estou dando importância demais para os bens materiais, sou egoísta pensando somente nas minhas necessidades materiais?
3º PASSO
“Decidimos entregar as nossas vidas e as nossas vontades aos cuidados de um Poder Superior, na forma em que o concebíamos.”
Como foi visto no Passo anterior, uma das maiores insanidades consiste em continuar fazendo as mesmas coisas esperando resultados diferentes. Dessa forma, acredita-se que, a partir da prática destes passos, começamos a fazer as coisas de uma forma diferente, como estamos aprendendo com o programa de recuperação através dos 12 passos.
Mas a prática deste programa e a confiança em um Poder Superiorexigem que façamos muitas renúncias de coisas, pessoas, velhos hábitos negativos e defeitos de caráter, que sempre nos acompanharam em nossa trajetória e nos levaram a falência como seres humanos.
Para renunciar é preciso confiar e entregar as nossas vidas e as nossas vontades a este Poder Superior, desfazendo de tudo o que nos impede de viver em sobriedade e nos aproxima novamente da nossa antiga vida.
AUTO-ANÁLISE PARA QUEM PRATICA ESTE PASSO.
Estou renunciando determinados prazeres e velhos hábitos, ou só renuncio aquilo que me convém?
Estou tendo auto-responsabilidade nas minhas atividades, ou faço as coisas por obrigação?
Busco me perdoar e perdoar as pessoas e as coisas que aconteceram no passado, ou guardo mágoas e ressentimentos?
Estou utilizando o meu tempo livre de maneira eficaz?
Busco não fazer as coisas apenas do meu jeito, aceito conselhos e opiniões?
4º PASSO
“Fizemos um minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos.”
No passo anterior nos encontramos com o nosso Poder Superior que até então não conhecíamos ou não tínhamos qualquer relação. Agora, neste passo vamos aos encontro com nó mesmos, ao encontro da nossa história, do nosso passado, da nossa realidade. Para isso, a condição básica do 4º passo é a honestidade, ou seja, sermos honestos com nós mesmos é a chave para a nossa libertação.
Para isso, devemos fazer um minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos. Colocar tudo o que passamos, o que vivemos, nossas alegrias e tristezas, dificuldades, sofrimentos, toda a nossa história de maneira detalhada e sem reserva, nos ajuda a entender que nós somos de fato, nossas virtudes e defeitos, a nossa personalidade, nossas forças e fraquezas.
Neste inventário o mais importante é a honestidade, por isso devemos tomar cuidado para não omitir, não inventar e não distorcer fatos.
Este é um passo de auto-análise profunda e é extremamente necessário para a nossa libertação.
AUTO-ANÁLISE PARA QUEM PRATICA ESTE PASSO.
Estou sendo honesto em tudo o que faço, ou procuro me esquivar e não os meus erros?
Estou omitindo, mentindo ou distorcendo detalhes da minha vida?
Utilizo de mecanismos de defesa, justificando meus atos cometidos no passado, idealizando fatos negativos, ou seja, faço um erro meu parecer uma coisa boa?
5º PASSO
            “Admitimos perante o nosso Poder Superior, perante a nós mesmos, e perante a outro ser humano a natureza exata das nossas falhas.”
         Falar para outra pessoa ou para outro dependente químico, a nossa história e expor os nossos sentimentos, nossas experiências, frustrações e sofrimentos, realmente é muito difícil, e nos faz pensar: Será que estou preparado para isso?
         Mas quem está realmente preparado para tal desafio? Quem confia totalmente no outro a ponto de realizar esse ato tão importante, mas ao mesmo tempo tão difícil e doloroso? Talvez quase ninguém consiga abrir totalmente o seu coração, mas isso não significa que não possamos começar a se libertar aos poucos do nosso passado que tanto nos persegue e atormenta. O 5º passo é o início de um ato de libertação incrível, e começá-lo, mesmo que seja aos poucos, pode ser o início de uma limpeza emocional e espiritual profunda.
        
AUTO-ANÁLISE PARA QUEM PRATICA ESTE PASSO.
        
         Estou conseguindo confiar mais nos meus amigos?
         Estou conseguindo me abrir mais e expor meus sentimentos?
         Tenho tido contato com meu padrinho de 5º passo?
6º PASSO
“Prontificamos inteiramente a deixar que o nosso Poder Superior remova todos esses defeitos de caráter.”
O 6º passo está fundamentado no 3º passo e na nossa vida espiritual, pois é a verdadeira prática da renúncia e da entrega. A cada entrega, a cada renúncia, o nosso contato com o Poder Superior, seja Ele qual for, vai se estreitando e ficando cada vez mais sólido e profundo.
Prontidão significa estar pronto, disposto, preparado. A verdadeira sobriedade significa que temos que estar prontos para uma mudança radical em nosso comportamento, nossos hábitos, nossas companhias, e deve ser sem reservas. Temos que reavaliar as nossas crenças e nossos valores, a fim de que a mudança seja profunda. Se não tivermos prontos para abrir mão destas coisas, a recaída é a conseqüência.
Deixar que o nosso Poder Superior realize essas mudanças não significa que podemos ficar parados esperando. A mudança requer determinação e perseverança, temos que fazer a nossa parte. Não adianta esperar que a nossa vida melhore se continuamos com as mesmas atitudes, sendo a mesma pessoa, tendo os mesmos hábitos e comportamentos.
Para viver em sobriedade é preciso estar pronto para pagar o preço que for para evitar a recaída e renunciar situações e ambientes que colocam a nossa sobriedade em risco.
        
AUTO-ANÁLISE PARA QUEM PRATICA ESTE PASSO.
        
         Estou vivendo o meu dia-a-dia com ânimo e disposição?
         Estou sendo positivo e praticando ações que me tornam uma pessoa melhor?
Faço planos e traço metas concretas a fim de melhorar minha vida pessoal, profissional, familiar e social?
Consigo renunciar pequenos hábitos negativos do dia-a-dia sem ficar mal humorado ou irritado?
Estou buscando a melhoria contínua em minha vida em todos os sentidos?
7º PASSO
            “Humildemente rogamos ao nosso Poder Superior que nos livre das nossas imperfeições.”
        

Humildade é a principal virtude a desenvolver para quem está começando a viver em sobriedade. A humildade nos permite estar sempre buscando entender e aceitar as nossas fraquezas e assim continuarmos na nossa caminhada na recuperação. Perceber que não conseguimos sozinhos, que somos vulneráveis e que precisamos da ajuda dos outros, e que mesmo há algum tempo sem drogas e álcool, não podemos descuidar achando que podemos voltar a fazer as mesmas coisas, freqüentar os mesmos lugares e andar com as mesmas pessoas.

        
         O orgulho nos faz pensar que estamos curados, e isso é extremamente nocivo e perigoso e pode acarretar uma recaída. A falta de humildade nos faz pensar que não precisamos mais buscar a recuperação, de aprender, de conhecer a nós mesmos e de evoluir.
         Se quisermos realmente nos livrar de nossas imperfeições a chave é a humildade, pois ela exige que tenhamos uma grande parcela de aceitação, não para aceitar os outros, mas para aceitar e conhecer a nós mesmos.
AUTO-ANÁLISE PARA QUEM PRATICA ESTE PASSO.
        
         Sinto que estou curado e que não preciso mais de ajuda?
         Busco ouvir a opinião dos outros ou quero fazer tudo do meu jeito?
         Sinto que as pessoas dos Grupos de Apoio não têm nada a me oferecer?
         Acredito que posso buscar a minha sobriedade sozinho?
         Estou me freqüentando lugares e andando com pessoas que possam oferecer risco para a minha sobriedade?
8º PASSO
         “Fizemos uma relação de todas as pessoas que tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados.”
         O Arrependimentoé a chave deste passo e a necessidade de descobrir os danos causados as pessoas que convivemos durante anos na nossa adicção é o despertar de um sentimento de cura interior.
         Quando decidimos dar um basta na nossa vida de uso e abuso de drogas e álcool, decidimos estar prontos para fazer o que fosse preciso para se libertar deste cárcere e aos poucos vamos descobrirmos o quanto a nossa doença afetou e prejudicou as pessoas ao nosso redor. Este sentimento de culpa é natural se seguido do arrependimento, pois nos torna mais sensíveis com a dor do outro.
          Desenvolver a capacidade de nos importar com as conseqüências dos nossos atos é um grande sinal de maturidade emocional. Devemos reparar os danos causados as pessoas que prejudicamos fisicamente, materialmente, psicologicamente e emocionalmente, pois nos liberta da culpa para seguirmos em frente sem continuarmos reféns de nossas lembranças, sentimentos e emoções. É por isso que tivemos que aprender a lidar com o orgulho e sermos mais humildes, para aceitar os nossos erros e repará-los.
AUTO-ANÁLISE PARA QUEM PRATICA ESTE PASSO.
        
Tenho me preocupado em perceber os danos que posso ter causado no meu dia-a-dia?
Consigo pedir perdão quando prejudico alguém?
Consigo me colocar no lugar do outro?
Procuro me perdoar quando erro, ou acho que eu não posso errar e procuro ser perfeito com medo de recair?
  
9º PASSO
         “Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-lo significasse prejudicá-las, ou a outrem.”
Depois de termos relacionado todas as pessoas que nós prejudicamos, de nos colocarmos no lugar do outro e de nos importarmos com as conseqüências de nossos atos nos levando a um profundo arrependimento, chegou o momento de fazer as reparações dos nosso erros do passado.
Para que isso aconteça é necessário coragem, palavra-chave deste passo, para tomar atitude de ir atrás das pessoas e situações que ficarão pendentes no passado. Mas não é tão fácil fazer estas reparações, pois as circunstâncias nem sempre são favoráveis. Muitas pessoas podem ter se mudado e não vermos mais, outras já podem ter falecido, e entre outras situações que nos levam a fazer as reparações de uma outra forma.
As reparação que não podemos fazer diretamente a pessoa podemos fazer indiretamente, ou seja, ajudando uma outra pessoa, ajudando outros dependentes químicos e através de oração e sacrifícios. Sendo realistas, muito dificilmente conseguiremos realizar todas as reparações necessárias e as que podemos fazer diretamente, podem haver certas dificuldades e a possibilidade de receber uma negativa. Por isso deve se considerar três pontos fundamentais para fazer as reparações:
ü       Coragem
ü       Prudência
ü       Sentido de escolha do momento.
Coragem
Dar o primeiro passo e tomar a iniciativa de ir atrás da pessoa prejudicada para pedir perdão não é tarefa fácil. Muitas vezes pode acontecer de nada hora exata vacilarmos e recuarmos com medo de receber um “não” como resposta, ou até mesmo ouvirmos ofensas da pessoa. Temos que compreender que esta pessoa ainda guarda muita mágoa e que é natural que ela se sinta assim. Daí a necessidade da “Coragem para modificar aquelas que podemos”. Neste caso, deve-se recuar e esperar um outro momento oportuno, ou talvez tentar fazer a reparação de outra forma se for o caso.
Prudência
A prudência é a capacidade de perceber o que é conveniente e o que não é. Ela consiste na profunda análise da escolha do momento oportuno, na cautela ao falar e na forma que será feita a reparação. Se não fizermos um estudo minucioso do que é possível e impossível ser feito, poderemos cometer grandes erros na tentativa de realizar as reparações.
Sentido de escolha do momento
Escolher o melhor momento para fazer a reparação pode aumentar a probabilidade de se obter sucesso na tarefa. Quando falamos de momento nos referimos a dois tipos de momentos: o momento interior e o momento exterior.
O momento interior está relacionado com o estado psicológico, emocional e espiritual do indivíduo, sejamos nós mesmos ou a pessoa, com a qual vamos efetuar as reparações. Não adianta tentarmos fazer reparações se não estamos em um bom momento.
O momento exterior representa as circunstâncias em que ocorrerá a reparação, o ambiente físico, as companhias, a disposição de tempo nossa e do outro. Se primeiramente analisamos o nosso momento interiorpara fazer a reparação, agora devemos também observarmos o momento da outra pessoa.
AUTO-ANÁLISE PARA QUEM PRATICA ESTE PASSO.
        
Fiz uma relação detalhada de danos e reparações antes de começar a praticá-las?
Tem alguma reparação que não desejo realizar?
Tenho falado com o meu padrinho de 5º passo ou com algum amigo com quem partilho a minha vida, sobre essas reparações?
Tenho colocado em risco a minha recuperação por causa destas reparações?
Tenho prejudicado o outro com as minhas reparações?
10º PASSO
         “Continuamos fazendo o inventário pessoal e quando estávamos errados o admitíamos prontamente.”
O 10º passo é um passo de manutenção da nossa recuperação, ou seja, a prática deste passo nos ajuda a manter aquilo que conseguimos com tanto esforço e dedicação, “a vida em sobriedade.”
Nesta fase precisamos elaborar estruturas que nos ajudem a manter o que iniciamos, como a participação em reuniões, a espiritualidade e todas as ferramentas que reunimos para caminharmos limpos. Muitos dependentes encontram atividades que mais se identificam, como a prática de esportes, estudos, a música, etc. O convívio com os amigos de recuperação, o bom relacionamento com a família e com o trabalho, tudo o que for saudável e com uma boa dose de equilíbrio, é fundamental para manter-se sóbrio e ter uma boa qualidade de vida.
Além de manter as nossas estruturas, a finalidade principal deste passo consiste em identificar as variações emocionais durante o nosso dia, uma vez que o desequilíbrio emocional pode comprometer a nossa qualidade de vida, prejudicar a nossa disciplina e a nossa qualidade de vida, e conseqüentemente iniciar um processo de recaída.
É a verdadeira prática da auto-análise, do inventário pessoal, que nos leva a identificar nossas reações emocionais, nossos comportamentos e principalmente os pontos positivos, nossas conquistas, sentimentos de alegria e satisfação que reforçam o nosso bem-estar e auto-estima.
O inventário pessoal é importante para que possamos viver com serenidade, tomar decisões com responsabilidade e honestidade, admirar o que é bom da vida e resolver nossos problemas e frustrações sem usar álcool e/ou drogas.
AUTO-ANÁLISE PARA QUEM PRATICA ESTE PASSO.
             
Tenho freqüentado grupos de apoio e/ou religiosos de acordo com a minha necessidade?
Tenho trocado, mais do que deveria, a participação nestes grupos por atividades não relacionadas com a manutenção da minha sobriedade?
Tenho percebido variações súbitas de humor no meu dia-a-dia?
Tenho tido reclamações sobre o meu comportamento ou meu estado de ânimo por parte das pessoas da minha convivência (família, trabalho, grupos)? O tenho feito a respeito?
Tenho sido capaz de enxergar as minhas conquistas e vitórias, ou somente tenho me focado naquilo que me falta, naquilo que ainda não consegui ou naquilo que tenho feito de errado?
11º PASSO
            “Procuramos, através prece da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós, e forças para realizar essas vontades.”
        

Depois de termos compreendido melhor nós mesmos, nosso comportamento, nossos sentimentos e a nossa relação com o mundo e com as pessoas é chegada a hora de desenvolvermos o nosso contato profundo com o Poder Superior.

         Vale a pena ressaltar que religiosidade e espiritualidade são coisas bem diferentes, sendo que a primeira consiste em seguir determinada religião, e a segunda é o conhecimento profundo de nós mesmos, de algo maior que nós mesmos e o bom relacionamento com o mundo e com as pessoas. Podemos dizer que uma pessoa que está bem com ela mesma, com a família, trabalho e amigos está espiritualmente bem. É a chamada paz interior.
         Somos muito materialistas e buscamos constantemente estarmos bem por fora, o dinheiro, bens materiais e tudo o que pode causar uma boa impressão para os outros e nos afastamos cada vez mais da espiritualidade. Aos poucos perdemos a nossa saúde espiritual, nossa paz interior, pois os bens materiais melhoram a nossa aparência, mas não o que somos por dentro, e sem perceber vamos adoecendo novamente.
         Freqüentar um grupo religioso é muito importante, mas para aqueles que não têm uma religião e preferem manter o contato com o Poder Superior à sua maneira, procure desenvolver a sua espiritualidade de outras maneiras, como por exemplo, ajudando outros dependentes químicos ou outras pessoas que precisam de algum tipo de ajuda, leve a mensagem dos 12 passos a outras pessoas, leve conforto e ajuda às famílias de dependentes químicos, sempre esteja disposto a estender a mão a quem precisa de ajuda.
AUTO-ANÁLISE PARA QUEM PRATICA ESTE PASSO.
              
Tenho reservado tempo para as questões espiritual, ou me tornando dia-a-dia uma pessoa materialista?
Tenho meditado, procurado ficar em silêncio para uma reflexão interior?
Procuro ajudar outras pessoas, ou só penso em minhas necessidades?
Como está a qualidade dos meus relacionamentos?
12º PASSO
            “Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes passos, procuramos transmitir esta mensagem a outros dependentes e a praticar estes princípios em todas as nossas atividades.”
Este passo vem propor a prática de todos os princípios aprendidos na nossa jornada, a

transmissão da mensagem e o despertar espiritual. Como já vimos anteriormente, não adianta apenas ler e conhecer profundamente os 12 Passos, é preciso atitude constante de mudança. É hora de vivermos o “Só por hoje” que tanto falamos, mas de uma maneira profunda. O “Só por hoje” não deve ser confundido de maneira que nós vivamos sem pensar no futuro, sem planejar, mas construindo a nossa sobriedade e qualidade de vida dia após dia, estando dispostos a realizar pequenas mudanças, pequenos detalhes da nossa vida, desde a hora que acordamos até a hora que vamos dormir. Viver em sobriedade não é ser perfeito, mas tentar melhorar sempre.

         Por despertar espiritual pode-se entender como uma nova maneira de enxergar a realidade e a nossa vida. O despertar espiritual aumenta a sensação de bem-estar, diminui a ansiedade, angústias e tensões, nos dando equilíbrio para lidar com as situações e frustrações, além de melhorar o nosso relacionamento com as pessoas. Podemos dizer também, que viver o despertar espiritual, não quer dizer apenas ir na igreja, mas a transformação do ser como um todo. Freqüentar algum tipo de religião é importante, mas de nada adianta se não tiver ação. Como diz na Bíblia “A fé sem obras é morta”, ou seja, o desenvolvimento da espiritualidade significa viver em plenitude com o mundo, com o Poder Superior e com o próximo, sendo útil, participando e ajudando o próximo e a si mesmo.
         Muitas pessoas procuram ajuda nas igrejas e em grupos de apoio somente no momento do desespero, quando o desespero vai embora, esquece que é dependente e que precisa estar em manutenção diária, e a conseqüência é a recaída.
         O dependente deve estar sempre buscando espalhar a mensagem da recuperação e da vida em sobriedade constantemente, mas com certa cautela para não colocar a sua sobriedade em risco. Ajudar o outro que sofre, ajudar as famílias que sofrem, ser exemplo de superação, praticar o bem sempre, ter disciplina, ser honesto com os outros e consigo mesmo, viver de bem com a vida apesar dos problemas e desafios que possam surgir no caminho e agradecer sempre! A sobriedade é isso!
          
AUTO-ANÁLISE PARA QUEM PRATICA ESTE PASSO.
              
Estou vivendo conscientemente, no meu dia-a-dia, os princípios contidos nos 12 Passos? Como? Quando?
Tenho tentado ajudar outros dependentes, quando surge a oportunidade, ou tenho evitado este trabalho?
Tenho assumido posturas inadequadas na tentativa de ajudar outros dependentes, sendo arrogante, como me colocando no lugar do outro, não compreendendo o sofrimento do outro?
 UM GRANDE ABRAÇO A TODOS!

Referências Bibliográficas:

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