Todos os membros da família que convivem com o dependente e que estão ligados emocionalmente, que buscam esconder, minimizar, omitir ou fingir que não está acontecendo nada, acabam defendendo a dependência e facilitando a vida do dependente químico, cedendo às suas manipulações, chantagens emocionais e sendo coniventes com suas atitudes descontroladas.


Para a psicóloga Márcia Viana (Recanto Maria Rereza – Cotia – SP):

“Todo aquele que está emocionalmente ligado e oferece seus sentimentos e sua vida para ‘proteger seu dependente’, visando impedir que comportamentos anti-sociais tornem-se transparentes, é um co-dependente.”

Dessa forma, a família ou qualquer pessoa que esteja emocionalmente envolvida com o dependente torna-se um co-dependente e adoece junto com ele. Sendo assim o co-dependente também precisa de ajuda, como o dependente.

O problema é que muitas pessoas acabam fazendo perguntas como:

Mas se é ele quem bebe e usa drogas, porque sou eu que preciso de ajuda?
É ele quem está doente, porque eu também devo me tratar?


Com a insanidade e os desequilíbrios do dependente, a família acaba por ter que conviver com isto, vivendo em função de suas loucuras, colaborando com suas atitudes para evitar discussões e brigas. O que acontece é que a família acaba entrando em colapso, e começa a sofrer junto, adoecendo emocionalmente e em muitos casos até fisicamente. Toda esta situação gera um círculo vicioso generalizado da dependência.
A psicóloga Márcia Viana chama este círculo de “CARROSSEL DA DEPENDÊNCIA QUÍMICA”, o dependente químico agindo e ao redor, os co-dependentes estão reagindo, todos estão vivendo em função do dependente. O dependente se droga, fica doidão e os outros reagem a sua drogadição e as suas conseqüências, o dependente responde as essas reações e se droga novamente, estabelecendo o carrossel da dependência química.
A família, ou seja, os co-dependentes precisam colocar limites, e desligar-se emocionalmente do dependente, vivendo suas próprias vidas e aprendendo a dizer NÃO! …BASTA!

A aceitação da co-dependência, e a atitude de dizer não, é o maior ato de amor, pois conscientizaram-se de que a melhor ajuda e única possível é a decisão mudança de tomar uma atitude, mesmo que esta atitude seja a mais radical possível. E pedir ajuda é um ato de sabedoria e humildade, pois só os fortes pedem ajuda!

Existem grupos de apoio que estão dispostos a ajudarem os co-dependentes como o AMOR EXIGENTE ENTRE OUTROS. Assim como o dependente, os co-dependentes podem buscar ajudam e se tratarem para aprenderem a lidar com dependentes e consigo mesmos, com a finalidade de ambos tratarem juntos o problema da dependência e viverem com qualidade, em harmonia uns com os outros.

O escritor Leon Tolstói escreveu:

“Todas as famílias que são felizes são iguais, mas cada família que é infeliz, o é a sua própria maneira”.

Para tanto apresentamos as duas famílias:

a família do dependente, antes ou seja, na drogadição e…
a família do dependente, depois ou seja, em recuperação.

1-A FAMÍLIA DO DEPENDENTE ANTES OU NA DROGADIÇÃO

A sua estrutura familiar é a seguinte:

• o segredo familiar em esconder o problema da dependência, a isso se isola e ainda não funciona direito.
• com o agravamento do dependente, os filhos ficam órfão de pais vivos.
• os co-dependentes são pessoas que amam demais o dependente.
• os co-dependentes criam novos comportamentos e papeis, para diminuir ou aliviar a sua dor.
• ocorre a generalização: a maioria dos familiares são atingidos pelo problema da dependência.
• não há comunicação entre os co-dependentes, ninguém não diz os seus sentimentos para outra pessoa.
• o certo e o errado é uma verdadeira confusão, usa-se muito os extremos (tipo: o dependente já está curado).
• procuram mentir, quando o mais fácil seria dizer a verdade.
• os co-dependentes se acham pessoas diferentes, pôr se acharem culpados.

2- A FAMÍLIA DO DEPENDENTE SÓBRIA – EM RECUPERAÇÃO

A família é calor mais respeito e mais disciplina, apontadas pelas características relacionadas:

• reconhece, identifica e afirma os seus sentimentos,
• ensina a ouvir atentamente e ativamente,
• permite que todos cresçam cada um no seu espaço,
• todos competem sem serem competitivos,
• reconhece e apoia o trabalho de cada um, e opera com amor.

Texto de Rodrigo Longo

Citações: Psicóloga Márcia Viana e escritor Leon Tolstóihttp://www.dependenciaquimica.inf.br/?pg=codependencia&co=3
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